PT
A segurança do doente é fundamental para a qualidade nas organizações de saúde e tem sido estudada
nas últimas décadas, sobretudo em contexto hospitalar. Os cuidados de saúde primários (CSP) têm
sido menos investigados e os estudos existentes são menos robustos, com metodologias variadas, que
dificultam a generalização dos resultados. Em Portugal esta temática também tem sido pouco
abordada, sobretudo desde a criação das Unidades Locais de Saúde. Este estudo qualitativo
exploratório tem como objetivo conhecer as perceções dos profissionais dos CSP da Unidade Local de
Saúde de Loures-Odivelas (ULSLOD) sobre segurança do doente. Para tal foram realizadas entrevistas
semiestruturadas a 18 profissionais (médicos, enfermeiros e assistentes técnicos), de três unidades da
ULSLOD. Na análise temática emergiram temas como fatores organizacionais e cultura de segurança,
condições de trabalho, processos assistenciais, comunicação e envolvimento do doente. Os três grupos
profissionais apontaram a notificação, discussão dos incidentes em equipa, comunicação
interprofissional e formação em segurança como aspetos fundamentais. Observaram-se algumas
diferenças entre grupos profissionais. Os médicos destacaram a segurança da medicação e
identificação inequívoca; os enfermeiros, para além da identificação do doente, também destacaram
as precauções básicas de controlo de infeção. Os assistentes técnicos apontaram também a
comunicação com o doente. Este estudo permitiu aprofundar o conhecimento sobre segurança do
doente nos CSP – incluindo a perspetiva dos assistentes técnicos, pouco estudada – e forneceu
orientações para áreas de investigação e intervenções futuras.
EN
Patient safety is fundamental to quality in healthcare organisations and has been studied over recent
decades, mainly in hospital settings. Primary Health Care (PHC) has been less studied, and existing
studies are less robust, employing varied methodologies that hinder the generalisation of findings. In
Portugal, there are few PHC studies, particularly since the creation of Local Health Units (ULS). This
exploratory qualitative study aims to understand the perceptions of PHC professionals at the Loures–
Odivelas Local Health Unit (ULSLOD) regarding patient safety. Semi-structured interviews were
conducted with 18 professionals — doctors, nurses and administrative staff — from three ULSLOD
units. Thematic analysis identified themes such as organisational factors and safety culture, working
conditions, care processes, communication and patient involvement. Across professional groups,
team-based incident reporting and discussion, interprofessional communication and training in safety
were highlighted as fundamental. Some differences between professional groups were observed.
Doctors emphasised medication safety and unambiguous patient identification; nurses, in addition to
patient identification, also highlighted basic infection-prevention precautions. Administrative staff
highlighted communication with patients as a critical factor. This study enhances understanding of
patient safety in PHC — including the under-researched perspective of administrative staff — and
provides directions for future research and interventions.