PT
A harmonização curricular dos cursos Europeus, convergindo para uma Área Europeia
de Ensino Superior, através do designado Processo de Bolonha (1999-2010), recolocou o
debate em torno na especificidade do ensino na Arquitetura, e da sua tradicional metodologia
de ensino pelo Projeto, no seio da Universidade.
Em Portugal, a preparação para a profissão compreende agora uma componente de
ensino universitário e uma formação adicional pré-profissionalizante em forma de estágio,
organizado pela Ordem dos Arquitetos. O ensino exige um duplo grau de Licenciado e Mestre,
adquiridos em duplo ciclo de três e dois anos de escolaridade, que introduz os futuros arquitetos
a um campo de práticas crescentemente diversificadas e que inclui a investigação como
propósito educativo. As escolas conciliam os centros de investigação, associados ou não a
outras áreas de conhecimento, desenvolvendo cursos de terceiro ciclo e “projetos” de
investigação, almejando financiamento adicional e produzindo trabalho “académico”, que se
tornaria a base da avaliação individual e institucional, pressionando a profissionalização
universitária.
No ensino, os docentes de carreira são projetistas-professores-investigadores e os
currículos são modelados, equilibrando os tempos letivos, reduzindo as horas de contacto
professor-aluno, em benefício de um modelo de aprendizagem baseado em trabalho autónomo.
No conjunto, a pressão de transformação estrutural e conceptual, a profissionalização docente
e a urgência de produção de conhecimento e de financiamento, relevam uma transformação da
pedagogia e da didática do ensino.
Aprofundando este cenário, esta tese observa a evolução estrutural, organizacional e
curricular, de um grupo de escolas de Arquitetura Portuguesas, fixando as transformações
suscitadas pelo Processo de Bolonha e inquirindo em que medida estas suscitam alterações à
organização, aos conteúdos e ao significado do tradicional ensino pelo Projeto de Arquitetura
EN
The curriculum harmonization of European courses, converging for a European Higher
Education Area by the so called Bologna Process (1999-2010), relocated the debate on
specificity of education in architecture, and its traditional methodology of learning by design,
within the University environment.
In Portugal, the architect’s basic training embraces a university level education and a
one year professional internship, organized by the Architects Association. It requires a Master
degree, acquired in a double cycle of three and two years of schooling, and which introduces
the future architects to an increasingly diverse field of practices, and compromises research as
an educational purpose. Schools reconcile research centers, associated or not to other areas of
knowledge, developing graduate courses and research "projects", targeting additional funding
and producing "academic" work, which would become the basis of individual and institutional
assessment, pressing the university professionalization.
In education, career teachers can be both designers, teachers and researchers, and the
curricula’s are modeled, reducing the hours of teacher-student contact, for the benefit of a
learning model based on student’s autonomous work. Altogether, the pressure for structural and
conceptual transformation, the professionalization and the urgency of knowledge production
and financing, provide a change of pedagogy and didactics of teaching.
Deepening this background, this thesis approaches the structural, organizational and
curricular developments, a group of Portuguese architectural schools, describing the changes
raised by the Bologna Process and inquiring to what extent they present a change to the
organization, the contents and the significance of traditional teaching of the architectural design.