PT
Este trabalho teórico analisa os projectos de habitação colectiva do arquitecto Fernando
Silva, que correspondem a cerca de 44% da sua produção arquitectónica, segundo a arquitecta Para conseguir desconjuntar esta trama, é feita, ao longo do trabalho teórico, uma
análise do sistema legislativo aplicado às habitações da cidade de Lisboa, das promoções
públicas de habitação – Olivais, de modo a comparar a promoção pública e privada –, e por fim,
uma análise à obra de habitação colectiva do arquitecto Fernando Silva, na cidade de Lisboa e arredores.
Isabel Monteiro, examinando o período entre as décadas de 50-70, do século XX. Acredita-se
que o arquitecto nesta época era responsável por uma produção arquitectónica que privilegiava
a componente técnica e que acabou por caracterizar todo o seu percurso profissional.
As áreas das suas habitações eram generosas e os espaços comuns procuravam uma
dimensão cénica e dramática, embora muito modesta ao nível dos átrios de entrada.
Comparativamente à promoção pública, as áreas da promoção privada, para quem o arquitecto
trabalhou maioritariamente, eram muito superiores. São questões deste tipo que o trabalho
teórico aborda.
Durante as décadas de 1950 e 1970, temas como a habitação colectiva e social
ganham uma enorme evidência, pois é um bem básico e necessário para potenciar as
aspirações de uma sociedade melhor. Depois do Congresso de 48 e da publicação dos
resultados do Inquérito à Arquitectura Popular em 1961, Portugal assiste a um período de
enorme reflexão sobre as questões da habitação.
Interessa perceber, com esta investigação, como é que um arquitecto de “espírito
moderno”, afastado das encomendas públicas e das discussões que emergem após o
congresso, faz tantas obras nas principais avenidas de Lisboa e nos arredores. Parte da intriga
começa aqui, como é que o arquitecto constrói na cidade e fora dela. Serão usados os mesmos
princípios? Existirá uma continuidade de princípios aplicados tanto ao nível da composição dos
alçados como ao nível da tipologia da habitação?
EN
This theoretical work analyzes the projects of collective houses from Architect Fernando
Silva, which, according to fellow architect Isabel Monteiro, corresponds to about 44% of his
production, from the early 50's to 1980. It is believed that F. Silva at this time was responsible for a
production mainly focussed on the technical side, which ended up characterizing his whole
production work.
His houses were generously spaced and the common areas had a scenic and dramatical
dimension, though modest regarding entrance halls. Fernando Silva's work, with only a few public
projects, expressed itself mainly in the private sector. These are the questions this theoretical work
deals with.
During the 1950's and 70's, themes like the collective and social houses gained
prominence, as a basic welfare and necessity to promote a better society. After the 1948 Congress
and the publication in '61 of the results of the “Inquiry to the Popular Architecture”, Portugal enters a
period of major rethinking regarding the housing issue.
With this essay, we meant to understand how an architect of “modern spirit”, away from the
governmental projects and from the quarrels emerging from the congress aftermath, is building so
many private projects in the main Lisbon boulevards and surroundings. Part of the plot begins here
– how a technician builds downtown and on the outskirts? Were the same rules used? Is there a
current of principles applied to the elevations concept and to the houses typology? To decipher this plot, throughout this theoretical work we will analyze the laws applied to the
housings in Lisbon town, from the public promotions of habitation – Olivais, in order to compare the
public and private sectors – and finally, an analysis to the workmanship of collective and social
houses from Architect Fernando Silva, in Lisbon and surroundings.