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Nenhuma obra em antropologia social dispensa tanto apresentações como a de
Claude Lévi-Strauss. Certamente o mais importante antropólogo senão do século pelo
menos da sua segunda metade, os seus escritos, com uma dimensão física rara e
imponente, contribuíram para revolucionar todos ou quase todos os campos e
princípios teóricos que tradicionalmente definem a disciplina. A importância dessa
obra, cujas consequências se podem medir não apenas pelos caminhos por ela abertos
mas também por aqueles que fechou ou contribuiu decisivamente para a forma que
tomaram, tem um seus principais indícios no caudal bibliográfico que suscitou, de tal
modo que é possível dizer que os comentários por ela suscitados se tomaram quase
uma subdisciplina no interior da antropologia. Este trabalho é portanto mais um
contributo para um campo em parte já saturado, embora a atenção dedicada a
Lévi-Strauss esteja nitidamente em refluxo desde há alguns anos a esta parte, mas no qual haverá sempre coisas a dizer de novo, quanto mais não seja porque o destino das
grandes obras a partir de certo momento depende tanto delas próprias como do que
sobre elas se escreveu e vem contribuir para multiplicar e enriquecer o número de
perspectivas sob as quais elas podem ser consideradas.