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Doutoramento • Doutoramento em Antropologia

Eu, tu... ilus: Poliamor e não-monogamias consensuais

Autor
Silvério, Maria Silva e
Data de publicação
15 Jul 2019
Acesso
Acesso livre
Palavras-chave
Portugal
Brasil
Sexualidade
Afeto
Intimacy
Relações interpessoais
Antropologia social
Monogamia
Estereótipo sexual
Identidade sexual
Liberdade sexual
Consensual non-monogamy
Polyamory
Swinging
Open relationship
Relational anarchy
Free relationships
Resumo
PT
Esta tese procura compreender as relações não-monogâmicas consensuais tendo como foco de análise o poliamor, modelo que defende a possibilidade de estabelecer relações íntimas, afetivas e/ou sexuais com mais de uma pessoa simultaneamente com o conhecimento, concordância e aceitação de todas as envolvidas. O poliamor é atualmente o único movimento relacional, social e identitário de alcance internacional que desafia a monogamia compulsória. Trata-se de um fenômeno emergente das sociedades ocidentais contemporâneas propiciado pela difusão do processo de individualização que levanta discussões importantes sobre questões de gênero, sexualidade, família, casamento, intimidade e amor. A pesquisa é baseada em entrevistas em profundidade e experiências de pessoas cisgênero que vivenciam relações poliamorosas com alguém do sexo oposto nas cidades de Lisboa (Portugal) e Belo Horizonte (Brasil). A pesquisa retrata aspectos centrais para a compreensão deste tipo de relacionamento, como sua crítica à norma monogâmica e ao amor romântico; ênfase nos acordos e comunicação aberta; interações entre as pessoas que amam alguém em comum; desafios; benefícios e dinâmicas de gênero. Também são ressaltadas semelhanças e diferenças entre o poliamor, a poligamia e outros modelos de não-monogamia consensual, como o swing, relacionamento aberto, relações livres e anarquia relacional. Esta tese também contribui para o debate acerca do significado e vivência da monogamia enquanto instituição social e expressão da afetividade e sexualidade, além de apontar transformações, ressignificações e convergências entre a heterossexualidade e outras sexualidades marginalizadas.
EN
This thesis seeks to understand consensual non-monogamy focusing the analysis on polyamory, a model that advocates the possibility of having intimate, affective and/or sexual relations with more than one person simultaneously with the knowledge, agreement and acceptance of all involved. Polyamory is currently the only relational, social, and identity movement of international scope that defies compulsory monogamy. It is an emerging phenomenon of contemporary Western societies propitiated by the diffusion of the individualization process that raises important discussions on issues of gender, sexuality, family, marriage, intimacy and love. The research is based on in-depth interviews and experiences of cisgender people who experience polyamorous relationships with someone of the opposite sex in the cities of Lisbon (Portugal) and Belo Horizonte (Brazil). The research shows central aspects to the understanding of this type of relationship, such as its critique of the monogamous norm and romantic love; emphasis on agreements and open communication; interactions between people who love someone in common; challenges; benefits and dynamics. It also highlights similarities and differences among polyamory, polygamy and other models of consensual non-monogamy, such as swinging, open relationship, free relationships and relational anarchy. This thesis also contributes to the debate about the meaning and experience of monogamy as a social institution and expression of affectivity and sexuality; besides pointing out transformations, resignification and convergences between heterosexuality and other marginalized sexualities.

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