PT
Esta dissertação investiga de que forma as parcerias estratégicas contribuem para a
criação e sustentação de vantagens competitivas na indústria automóvel, num contexto de
dupla transição, digital e energética, que redefine os modelos de negócio e as cadeias de
valor do setor. A pesquisa apoia-se em entrevistas semiestruturadas realizadas a
profissionais de fabricantes de equipamentos originais (OEMs), fornecedores de nível 1
e 2 e empresas de software e serviços tecnológicos, permitindo compreender as dinâmicas
colaborativas entre atores com diferentes competências e objetivos. A análise qualitativa
revelou uma lógica de portfólio que combina consórcios exploratórios, co-
desenvolvimento de subsistemas, co-produção intra-grupo e alianças orientadas para
plataformas digitais. Verificou-se que a forma de parceria evolui com a maturidade
tecnológica e o grau de interdependência das tarefas: acordos leves favorecem a
aprendizagem em fases incertas, enquanto mecanismos de governança mais intensos
surgem para proteger o conhecimento e acelerar a industrialização. Em tarefas modulares,
prevalece a aquisição transacional.
Empiricamente, observou-se que as parcerias reduzem custos, melhoram a qualidade
e encurtam o tempo de comercialização através de equipas mistas, reutilização de
módulos e ferramentas partilhadas. Num setor em rápida transformação, as conclusões
evidenciam que a competitividade das empresas dependerá cada vez mais da capacidade
de orquestrar ecossistemas colaborativos, integrando conhecimento tecnológico,
confiança interorganizacional e inovação contínua, fatores essenciais para responder aos
desafios emergentes da mobilidade sustentável.