PT
Pretendeu-se com este trabalho compreender, no que concerne o estudo das relações raciais na
sociedade angolana e ao longo do período compreendido entre 1950-1996, as razões que
concorrem para que determinadas classificações assentes na noção de raça tenham sido um
recurso fundamental nas lutas políticas, nomeadamente, em processos de inclusão e exclusão.
Para levar por diante este objectivo seleccionámos um conjunto de categorias «raciais» como
mestiço, branco, negro, indígena e assimilado, considerando que estas últimas são classificações
que assentam em propriedades rácicas/características somáticas.
Tendo em conta uma perspectiva interdisciplinar optámos por utilizar três conceitos nucleares:
campo político, ideologia identitária e crise.
Mediante estes três conceitos foi possível analisar a dinâmica do campo político angolano como
espaço de lutas de classificação, em que classificações assentes em propriedades
rácicas/características somáticas tiveram um papel fundamental, como recurso político, nos
processos de institucionalização do capital político.
Contudo, o campo não se estruturou nem configurou tendo em conta as propriedades
rácicas/características somáticas. A sua dinâmica foi condicionada por outros princípios que
relegaram para um segundo plano o papel que as classificações assentes em propriedades rácicas
desempenhavam na luta política.
EN
Regarding the study of racial relations in the Angolan society in the period of 1950-1996,
the aim of this research was to understand the reasons that lead certain classifications based on
the notion of race to be a fundamental resource in political fights, namely, in processes of
inclusion and exclusion.
In order to accomplish our objective we select a set of “racial” categories such as mestizo,
white, black, indigene and assimilado, considering that they are classifications based on racial
proprieties/somatic characteristics.
Taking into account an interdisciplinary perspective we chose to use three core concepts.
That is: political field, ideological identity and crises.
Through these three concepts it was possible to analyse the dynamics of the Angolan
political field as a space of classification fights. Classifications based on racial
proprieties/somatic characteristics played a central role, as a political resource, in the processes
of institutionalization of the political capital.
Nevertheless, the field was not structured nor set according to racial proprieties/somatic
characteristics. Its dynamics was shaped up by other principles that relegated to the background
the role classifications based on racial properties played in the political fight.