PT
Este estudo examinou, pela primeira vez, a acculturation gap no contexto da sexualidade
feminina. Mais especificamente, investigamos a sua relação com as experiências de controlo por
parte da família, tal como o papel mediador da aceitação do controlo e do conflito intergeracional
na aculturação de mulheres nos EUA e na Noruega. Propusemos que uma maior diferença entre
pais e filhas no endosso das normas da sexualidade feminina do país anfitrião traduzir-se-ia em
mais conflitos intergeracionais, resultando em mais experiências de controlo da parte da família.
Adicionalmente, as mulheres mais aculturadas às normas sexuais do país anfitrião seriam menos
dispostas a aceitar o controlo da parte da família e, consequentemente, relatariam menos
experiências de controlo. As participantes eram mulheres de dupla herança, com idades entre 18
e 62 anos, residentes na Noruega (n = 121) e nos EUA (n = 118). Dois modelos de mediação
foram testados. Tanto na Noruega como nos EUA, as participantes com uma maior acculturation
gap relataram mais conflitos intergeracionais, e estes traduziam-se em mais experiências de
controlo da parte da família. Somente nos EUA, as participantes mais aculturadas às normas
sexuais do país anfitrião relataram menos aceitação para ser controladas pela família, que por sua
vez era relacionada com menos experiências de controlo. Esses resultados oferecem um novo
ângulo teórico no estudo da aculturação e da sexualidade, e podem informar intervenções para
reduzir conflitos e violência contra as mulheres em famílias na fase de aculturação.
EN
The present research examined, for the first time, the acculturation gap in the domain of
female sexuality for immigrant women in the U.S. and Norway. We proposed that greater
perceived difference between daughters and parents in the endorsement of host country norms of
female sexuality would translate to more intergenerational conflict and women reporting more
experiences of control from her family. In addition, proposing that women more acculturated to
sexual norms of their host culture may be less accepting of control and, by consequence, report
less experiences of control. Participants were double heritage women, ages 18 to 62, residing in
Norway (n = 121), and the U.S. (n = 118). Two mediation models were tested. Results supported
both processes in the overall sample and in the U.S., with support in Norway for the process via
intergenerational conflict, but not via acceptance of controlling behaviors. Both in Norway and
the U.S., participants with a greater acculturation gap reported more intergenerational conflict
that translated to more experiences of controlling behaviors from family. Only in the U.S. did we
find that participants more acculturated to host culture sexual norms tended to accept less control
from family and, in turn, report less experiences of controlling behavior. These findings offer a
novel theoretical angle in the study of acculturation and sexuality and may inform interventions
to reduce conflicts and violence against women in acculturating families.