PT
Este trabalho aborda os comportamentos desviantes percepcionados pelos médicos nas
instituições de cuidados de saúde públicas e privadas, analisando o modo como lidam com
este fenómeno - práticas, opiniões e experiências. São analisadas as relações dos médicos com
os sistemas de controlo dos comportamentos desviantes, no que diz respeito às orientações
éticas das instituições onde desenvolvem a sua actividade.
Para além dos métodos preventivos de controlo de comportamentos desviantes que assentam
sobretudo na divulgação das orientações éticas nas instituições, a denúncia surge como um
procedimento correctivo com bastante potencial para a redução deste tipo de comportamentos
caso haja confiança na mesma. Neste âmbito, pretende-se responder às três questões que
medem a eficácia dos sistemas de controlo: “Existe informação suficiente sobre ética
organizacional?”, “Denunciaria um comportamento desviante?” e “Como proceder em caso de
denúncia?”
Para responder a estas questões foram realizadas entrevistas semi-estruturadas a dez médicos,
que desempenham diversas funções nas instituições de cuidados de saúde. A metodologia
qualitativa utilizada, permite um estudo mais abrangente dos comportamentos desviantes
percepcionados por este grupo de profissionais e uma análise mais aprofundada dos
procedimentos de controlo como possíveis inibidores desses comportamentos.
Do ponto de vista dos médicos os sistemas de controlo são praticamente inexistentes e
declaradamente ineficazes como factores de modelação dos indivíduos. São apontadas várias
opções para a melhoria destes sistemas, como melhor comunicação da informação, o recurso a
entidades externas e uma maior visibilidade dos seus efeitos práticos.
EN
The purpose of this thesis is to study the deviant behavior perceived by physicians in public
and private health care institutions, analyzing the way how they deal with this phenomenon –
practices, opinions and experiences. The physician’s relationships with deviant behavior
control systems are analyzed regarding institutions ethical guidelines where they develop their
activity.
Beside the fact that preventive methods are used to control deviant behaviors, which are
basically rely on the dissemination of the institution’s ethic guidelines, the whistleblowing
appears as a corrective procedure with great potential to reduce this type of behavior, in case it
becomes a trusted method. In this context, this dissertation seeks to answer three questions that
measure the effectiveness of control systems: “Is there enough information about
organizational ethics?”, “Would you expose deviant behavior?” and “How to proceed in case
of Whistleblowing?”
To answer these questions, semi-structured interviews were conducted to ten physicians, who
have different functions in the health care institutions. The qualitative methodology enables a
broader study of deviant behavior perceived by this professional class and a more in-depth
analysis of control procedures as possible inhibitors of these types of behavior.
From the physician’s point of view, control systems are practically nonexistent and reportedly
ineffective as subject molding factors. This thesis highlights multiple options to improve these
systems, such as better communication of information, the use of external entities and
improved visibility of their practical effects.