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O conceito de criança é uma construção social, dos adultos, que tem que ser
analisado nos contextos históricos e sócioeconómicos
em que um estudo deste tema se
insere.
É às gerações mais velhas que cabe a tarefa de construir e moldar as gerações para
se tornarem membros das respectivas sociedades. O adulto define o que quer fazer das suas
crianças e assim lhe atribui um valor. Valor que está sempre directamente relacionado com
as necessidades materiais, sociais e afectivas dos ascendentes e por isso a infância tem que
ser olhada no tempo e no espaço das relações familiares e sociais em que decorre.
Com a presente dissertação, a partir de uma história de vida, pretendo compreender
se, ao longo da vida de um indivíduo, o processo de construção de um determinado
conceito, neste caso o conceito de criança, é determinado pela interacção, pela
influência/pressão do grupo social de origem, o seu grupo de pertença, ou, mais
directamente pela socialização primária dentro do constrangimento do lar, sendo esse
processo tão poderoso e determinante que o conceito se internaliza ao longo da vida do
indivíduo. Ou se, num sentido diferente, o processo de conceptualização vai sendo
redefinido e remoldado pela aproximação, intervenção e interacção com outros grupos
sociais e processos culturais distintos do grupo identitário de origem.