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À semelhança do que acontece em muitas cidades europeias, alguns bairros do centro histórico de Lisboa inserem-se num contexto de diversidade sociocultural devido à confluência de vários processos de transição socio-urbanística. Na representação de uma nova dimensão cosmopolita, estes territórios são marcados pela coabitação de diversos grupos sociais que se instalam e se apropriam, partilhando o mesmo espaço e contribuindo para a crescente heterogeneidade populacional. Enquanto depósito de diversidade cultural, social e espacial, a Mouraria configura um caso ilustrativo desta confluência de formas de apropriação urbana distintas, nomeadamente a fixação de população proveniente do êxodo rural, a fixação de população imigrante e um primário processo de “gentrificação” que corresponde à fixação de população portuguesa de elevado nível educacional e cultural que é atraída pela genuinidade e tipicidade caracterizadoras da vivência deste bairro histórico e central.
Pretende-se com este trabalho perceber como ocorre a coabitação entre os diferentes grupos sociais residentes e como é distinta a relação que estes estabelecem com o espaço urbano e arquitetónico, através do estudo de casos particulares e dos modos de habitar o espaço público e privado.