PT
O ano letivo de 2012/2013 iniciou-se com um exercício conceptual para arranque. Tendo
de ser realizado em grupo, foi-nos pedido que, através de uma mancha construída, criássemos
um ambiente que acabaria a ser representado em um modelo físico. O meu grupo criou a
mancha a partir de um pente e criou um ambiente refletido num espelho.
O segundo exercício, ainda em grupo, tinha como objetivo construir uma estrutura de
carácter temporário em Bafatá, Guiné-Bissau, para albergar um centro interpretativo para
comemorar os 90 anos do nascimento de Amílcar Cabral, um dos fundadores do PAIGC
(Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde). O meu grupo criou um centro
interpretativo sobre um leito de cheia do rio Geba, onde a cobertura do mesmo serviria de
atravessamento para a população, construído em paletes.
O terceiro exercício consistiu, num primeiro momento, no estudo da área de trabalho:
desde o Largo do Rato até à colina das Amoreiras, onde o grupo criou traçou as ideias de
trabalho: agir sobre os movimentos pendulares: controlar o afastamento das faixas etárias
mais jovens, resultando no envelhecimento da população, através da criação de novas
politicas urbanas e novas estruturas de habitação na cidade. A par desta nossa iniciativa foi
criada a nossa estratégia urbana. Esta consiste: na reorganização viária automóvel de modo
a recuperar certas zonas da área em estudo para os habitantes e não para os veículos e na
criação de uma linguagem visual/material que una os projetos de cada elemento do grupo, de
modo a simular um percurso interior nas Amoreiras.
O quarto exercício inicia o trabalho individual, onde nos é pedida a elaboração de
habitações em uma de oito zonas, escolhida por nós. Eu escolhi a zona oito, que pertence
ao Jardim das Amoreiras. O meu projeto das habitações funcionalmente tem como objetivo
albergar o máximo de situações familiares possível: solteiro, casal jovem, família numerosa
e pessoas com necessidade de habitação temporária. Urbanisticamente consiste na transformação de cada habitação em uma porta de entrada para o interior do quarteirão
adjacente, de modo a criar um percurso urbano.
O quinto exercício é uma continuação do exercício quatro: criar uma ligação das habitações
(micro escala) com a envolvente a que pertence (macro escala). Com a transformação das
habitações em portas de entrada para os quarteirões, a minha proposta urbana incide no
desenvolvimento desta ideia: criar um percurso que percorra o interior de dois quarteirões
junto ao jardim das amoreiras, com o objetivo de aumentar as ligações de vizinhança.
Como sexto, e exercício final da vertente projetual, foi dado um enunciado com tema
livre, onde cada aluno teve o direito de decidir o que achava mais correto executar, tendo
sempre presente o tema e os exercícios produzidos durante o ano letivo. Eu escolhi criar dois
equipamentos no interior dos quarteirões rasgados por mim, para caracterizar o espaço e
servir de complemento às habitações.
A nível teórico, toda a problemática do interior/exterior e público/privado por mim
levantada com a abertura dos quarteirões fez-me ter interesse em compreender como a
cidade se encontra fragmentada de várias, e especular como é que essas barreiras influências
a nossa maneira de interagir com a urbe. Foi assim que surgiu o tema das fronteiras urbanas
e escolhi o caso do Parque das Nações para servir de exemplo base: é um espaço urbano de
génese planeada, estão presentes neste território várias infraestruturas de cariz público, como
jardins, exceções viárias, equipamentos lúdicos, entre outros, e onde existem várias barreiras
que podem ser ou não ser um obstáculo real à circulação pedonal. Para descobrir o quanto
essas fronteiras influenciam a vida urbana, utilizo a teoria da sintaxe espacial para simular
vários ambientes sobre o mesmo caso de estudo.