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E se recuperando um fundo documental desactivado, esquecido no arquivo de
uma repartição de uma autarquia, se pudesse hoje reflectir sobre os objectos e as
pessoas que circularam num passado recente pelas estradas e caminhos do território de
um concelho? Esta foi a hipótese de trabalho que me foi lançada pouco depois de ter
iniciado a minha actividade profissional em Tavira, ao serviço do Museu da Terra, um
projecto museológico que propõe, através dos seus conteúdos, retractar a paisagem
algarvia nas suas múltiplas vertentes, social, económica, geográfica, natural e humana.
Em 2004, no contexto de um percurso intensivo de identificação de materiais
capazes de nos revelarem pistas sobre as diferentes formas de viver no concelho, o
coordenador científico do projecto Museu da Terra alertou-me para a possibilidade da
existência de uns documentos designados registos de veículos de tracção animal em
alguma das repartições da Câmara Municipal de Tavira. De facto o questionamento dos
funcionários certos conduziu-me à repartição que outrora estava encarregue de emitir
estes registos: a Secção de Taxas e Licenças. Foi neste local que em Setembro de 2004
fui descobrir duas gavetas de um móvel de arquivo onde estavam depositados os
registos que procurava. Informaram-me que eram documentos que deixaram de ser
utilizados a partir dos anos 80 do Século XX e que por isso estavam remetidos a um
arquivo morto.