PT
A adesão à terapêutica tem vindo a tornar-se um tema de grande relevo numa época de
necessidade de optimização de recursos. Sabendo-se que o incumprimento da terapêutica é
responsável por importantes gastos em saúde, torna-se fundamental a aferição de factores
modificáveis condicionantes de adesão, a fim de reduzir estes gastos e melhorar a saúde
dos doentes.
Com o desenvolvimento de terapêuticas orais para algumas doenças oncológicas, estas
dificuldades começaram a ser verificadas também nesta área, nomeadamente na Leucemia
Mieloide Crónica (LMC)
Estudos internacionais demonstraram que a adesão à terapêutica na LMC pode ser
responsável pela perda de resposta e maior risco de recaída.
Foi estudada a adesão à terapêutica com inibidores de tirosina quinase numa amostra de 30
doentes com LMC seguidos num centro de referência português.
Dez por cento dos doentes revelaram incumprimento ocasional de terapêutica,
particularmente por causas não intencionais como o esquecimento.
O ajuste do horário de tratamento à rotina do doente parece ser fator relacionado com
menor esquecimento, melhorando a adesão.
Os resultados reforçam, ainda, a importância da literacia e da relação entre o médico e o
doente, sendo o diálogo e a empatia estabelecida entre estes um factor protetor de falha da
toma de medicação.
EN
Adherence to therapy has become a topic of great importance in a time of need for resource
optimization. Knowing that failure of therapy is responsible for major health expenditures,
it becomes essential to gauging modifiable factors affecting adherence in order to reduce
these costs and improve patient health.
With the development of oral therapeutics for some malignancies, these difficulties also
began to be observed in this area, particularly in Chronic Myeloid Leukemia (CML)
International studies have shown that adherence to therapy in CML may be responsible for
loss of response and increased risk of relapse.
Adherence to therapy with tyrosine kinase inhibitors in 30 CML patients followed in a
Portuguese reference center were studied.
Ten percent of patients showed occasional failure of therapy, particularly due to
unintentional factors such as forgetting.
The adjustment of treatment schedule to patients’ daily routine appears to be associated
with lower forgetfulness, improving adherence.
The results also reinforce the importance of literacy and the dialogue and empathy
established between the physician and the patient, being there protecting factors against
failure to take medication.