PT
Esta tese tem como tema a qualidade de vida profissional na contemporaneidade e apresenta
os resultados de uma investigação desenvolvida em torno da problematização da qualidade do
trabalho de profissionais qualificados no contexto da sociedade do conhecimento e, em
particular, no quadro de uma crise económica à escala global. Partindo da análise de contextos
organizacionais específicos, são contempladas as relações entre configurações institucionais,
políticas organizacionais e trajectos individuais na determinação da qualidade de vida no
trabalho e nos significados que assumem os “bons trabalhos”. A pesquisa foi suportada por
uma metodologia que, ao combinar os planos de análise estrutural, organizacional e
individual, articulou métodos de natureza extensiva, com outros de carácter intensivo. Para
além da análise de indicadores estatísticos estruturais, foram analisadas as políticas
organizacionais de uma empresa multinacional sueca e da sua subsidiária portuguesa. Através
do estudo aprofundado de três contextos de trabalho do mesmo grupo multinacional, dois na
Suécia e um em Portugal, e suportada por um conjunto de entrevistas a quadros superiores da
empresa nos dois países, a tese corrobora a necessidade de se articularem os diferentes níveis
analíticos para uma efectiva compreensão da qualidade de vida profissional. A análise da
evolução da qualidade do trabalho nas últimas quatro décadas, tanto no plano académico
como no da agenda política europeia, enquadra o debate sobre um fenómeno
multidimensional que, entre consensos e desacordos conceptuais, metodológicos e
ideológicos, não perde actualidade numa conjunctura de crise e recessão.
EN
This thesis addresses quality of working life in contemporaneity and presents the results of a
research project aimed at discussing quality of work for highly qualified workers in the
knowledge society and especially in the context of a global economic crisis. Having
organisational contexts as a starting point, the analysis is focused in the interlinkage between
institutional contexts, organisational policies and individual trajectories for the quality of
work and for the meanings attributed to “good jobs”. The research project contemplated three
levels of analysis: institutional, organisational and individual, and was based in both extensive
and intensive research methods. Together with the analysis of statistical indicators,
organisational policies of a Swedish multinational company and its Portuguese subsidiary
were also analysed. Through the study of three work contexts, two in Sweden and one in
Portugal, and based in a set of interviews with middle managers of the company in both
countries, the thesis supports the need to articulate the different levels of analysis for an
effective understanding of quality of working life. The analysis of the evolution of quality of
work in the past four decades, in academia and in the European political agenda, shapes the
debate on this multidimensional phenomenon, central in a conjuncture of crisis and recession,
despite its conceptual, methodological and ideological consensus and disagreements.