PT
Este trabalho resulta de uma investigação académica, tendo como terreno de observação o Cinema Documentário, nos domínios da teoria, bem como da prática. Cingimo-nos ao Documentário europeu e norte-americano pois ser-nos-ia impossível envolver nesta investigação um espectro geográfico mais abrangente.
Ao longo da primeira parte abordamos a problemática da divisão operada pela luz, criadora de um reflexo, logo de uma duplicidade: a primeira imagem. O fascínio do reflexo reside na sua potência imagética e desde cedo o Homem se sentiu atraído por esta luz que ao mesmo tempo que o duplica, transfigura e assola. A perturbação tentadora acompanha o Homem desde os seus primórdios e, desde sempre, que ele procura fixar os reflexos, ou seja, as imagens. Partindo da acepção de Bazin defendemos que, subjacente à insistência na fixação da imagem está a ilusão da imortalidade. Este desejo do inconsciente pôde ser alimentado durante séculos pela pintura e veio ser reforçado com o aparecimento da fotografia. No seu surgimento, o timbre mais “correcto” da imagem fotográfica possibilitou ao Homem uma convicção momentânea de controlo sobre a perenidade do tempo . O cinema, poucos anos mais tarde colocou à frente do Homem não apenas a reprodução mais perfeita do objecto, mas também o seu movimento e o seu tempo.