PT
Num contexto em que a sustentabilidade e a responsabilidade corporativa assumem uma crescente relevância na estratégia empresarial, este estudo analisa a implementação do "Stakeholder Capitalism" em empresas que atuam em Portugal. O propósito é compreender como as organizações integram os interesses dos seus "stakeholders" nos processos de decisão e de criação de valor sustentável. A metodologia adotada é qualitativa, baseada em vinte entrevistas semiestruturadas a gestores e responsáveis de sustentabilidade de diversos setores, cujos dados foram tratados através de análise temática e taxonómica. Os principais resultados indicam que a gestão de "stakeholders" segue etapas sistemáticas de identificação, envolvimento e integração, embora com diferentes graus de maturidade entre as organizações. As motivações para a adoção do "Stakeholder Capitalism" relacionam-se com fatores estratégicos, regulatórios e éticos, enquanto as principais barreiras incluem a resistência à mudança, a pressão por resultados de curto prazo e a instabilidade legislativa. A originalidade do estudo resido em abordar empiricamente a operacionalização deste paradigma em contexto português, contribuindo para colmatar a escassez de literatura nacional sobre o tema. As contribuições teóricas reforçam o papel da liderança e da cultura organizacional como mediadores do envolvimento dos "stakeholders", e as implicações práticas apontam para a necessidade de políticas de formação, incentivos regulatórios e estabilidade normativa que favoreçam a consolidação de uma gestão sustentável e de longo prazo.