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Este trabalho que agora se apresenta, teve início em Setembro de 2013 e propunha imaginar
como poderia ser a Portela de Sacavém caso ocorresse um desastre no seu centro.
Com este dado adquirido e sobre o mote Arquitetura ou Revolução?, baseado no texto Vers une architecture
de Le Corbusier de forma a se interligar com o aniversário dos 40 anos da “Revolução dos Cravos”,
foi proposto aos alunos uma leitura do território da Urbanização da Portela de Sacavém, e como o mesmo
seria após uma intervenção urbana que reconstruísse a zona após o incêndio que ocorreu no seu centro.
Após uma análise feita em Grupo, chegamos a uma estratégia que passava por libertar
o centro da Portela de Sacavém através de um grande parque urbano, que tentava fazer
com que a Portela passa-se a funcionar de dentro para fora, ao contrário do que acontece
na atualidade. Outro fator determinante para a estratégia geral de grupo passou por trabalhar
a zona de limite que a Urbanização da Portela de Sacavém faz com a sua envolvente, tentando
resolver ligações e acessos de modo a haver uma fluidez entre a Portela e os seus arredores.
Como base do exercício passava por construir os equipamentos destruídos pelo fogo, a forma
como este limite funcionava foi fulcral para decidirmos a implantação dos novos equipamentos, os
quais eram uma escola primária, um complexo de piscinas, zonas de comércio, habitação e uma igreja.
Paralelamente foi desenvolvido ao longo do primeiro semestre um Atlas da Liberdade,
proposto pelo Laboratório de Cultura Arquitetónica Contemporânea, e
o qual pretendia um estudo da habitação dos denominados “bairros da liberdade”,
os quais se encontravam espalhados pelas cidades de Luanda, Macau e Lisboa.
De modo a tentar unir os esforços desenvolvidos tanto pela vertente prática de Projeto
Final de Arquitetura com o estudo de cidade feito pelo Laboratório, a escolha do tema a estudar ao longo do ano letivo recaiu sobre as representações da cidade de Lisboa através da Banda-
Desenhada. Este trabalho que aparentemente surge desconectado do tema geral do ano, é
pertinente, pois na realidade possuí alguns elementos em comum com o enunciado do ano.
O caráter do enunciado, e o próprio trabalho desenvolvido foca-se muito na utopia
e na cidade, e são estes dois temas que a Banda-Desenhada muitas vezes se foca,
pois no imaginário da BD, todas as ideias são válidas e todas as utopias são possíveis.
Sendo que uma das cidades estudas no Laboratório de Cultura
Arquitetónica Contemporânea era a cidade de Lisboa, achamos pertinente
abordar o tema da cidade de Lisboa e as suas representações através da BD.
Analisar Lisboa através das páginas de um BD é uma experiência interessante, repleta recriações
da cidade, a qual muitas vezes é imaginada num futuro utópico, e na qual todas as possibilidades
são ilimitadas, mas que como se poderá ver mais à frente, muitas destas possibilidades representadas
já tinham sido abordadas diversas vezes por personalidades das mais diversas áreas.
Na BD imaginar a cidade no futuro é voltar a pensar em inúmeros aspetos que já foram alvos
de debate anteriormente e os quais deixam pistas claras para uma cidade que poderia ter sido.
Como a BD utiliza um dos meios indispensáveis aos arquitetos, o desenho, este também foi
utilizado como forma de representar o projeto desenvolvido na vertente prática de Projeto
Final de Arquitetura, dando origem a uma pequena narrativa em formato BD que permitia
visualizar de uma maneira geral algumas das particularidades do projeto desenvolvido.