PT
Esta dissertação analisa a vulnerabilidade e a resiliência das cadeias de abastecimento alimentar
perante desastres e disrupções globais, através de uma revisão sistemática de literatura e de uma
análise bibliométrica, sustentadas pelos artigos provenientes das bases de dados Scopus e Web
of Science e utilizando o software VOSviewer. O processo seguiu as orientações PRISMA e
incluiu artigos publicados entre 2015 e 2025.
A amostra final, composta por 64 artigos, identifica quatro eixos principais: segurança e
sustentabilidade alimentar, inovação tecnológica, gestão de risco em múltiplos níveis e
estratégias de adaptação em contextos vulneráveis, sobretudo no Sul Global. Os resultados
mostram que a resiliência é entendida como capacidade de resposta imediata, visível em
medidas como stocks de segurança, flexibilidade logística e digitalização, mas também como
estratégia de longo prazo, assente na diversificação de fornecedores, em práticas sustentáveis e
em políticas públicas robustas.
Apesar dos avanços, persistem lacunas relevantes, em particular na integração entre riscos
climáticos e outros choques sistémicos e no papel das tecnologias digitais na rastreabilidade e
mitigação de riscos. O estudo reforça a importância de uma abordagem integrada e
multidimensional que combine inovação tecnológica, políticas públicas eficazes, cooperação
regional e sustentabilidade, de modo a construir cadeias alimentares verdadeiramente resilientes
num cenário global cada vez mais incerto.
EN
This dissertation examines the vulnerability and resilience of food supply chains in the face of
global disasters and disruptions through a systematic literature review combined with a
bibliometric analysis. The research was conducted using the Scopus and Web of Science
databases and analyzed with VOSviewer software. The process followed PRISMA guidelines
and included articles published between 2015 and 2025.
The final sample, composed of 64 articles, highlights four key research axes: food security
and sustainability, technological innovation, multi-level risk management, and adaptation
strategies in vulnerable contexts, particularly in the Global South. Findings show that resilience
is understood both as an immediate response capacity, supported by measures such as safety
stocks, logistical flexibility, and digitalization, and as a long-term strategy based on supplier
diversification, sustainable practices, and strong public policies.
Despite progress, significant gaps remain, especially regarding the integration of climate
risks with other systemic shocks and the role of digital technologies in traceability and risk
mitigation. The study underlines the need for an integrated and multidimensional approach that
combines technological innovation, effective public policies, regional cooperation, and
sustainability in order to build truly resilient food supply chains in an increasingly uncertain
global environment.