PT
No âmbito de uma abordagem que deve garantir o direito da criança à participação, é importante
analisar a perspetiva dos profissionais sobre esta matéria, considerando que as suas crenças
podem moldar a tomada de decisão relativamente à audição da criança. Embora já existam
instrumentos para aceder a estas crenças, o principal objetivo do presente estudo é validar
escalas que capturem as crenças dos profissionais sobre a participação da criança, adaptadas ao
contexto português, partindo de uma revisão da literatura sobre instrumentos existentes, seguida
de entrevistas individuais (fase 1: N = 5) com profissionais do sistema português de proteção
de crianças com quem os itens foram discutidos, de modo a captar a validade de conteúdo.
Numa segunda fase, foi realizado um estudo quantitativo, e as escalas foram aplicadas a 99
profissionais (por exemplo, juízes, técnicos de caso, psicólogos, educadores sociais, estagiários
de psicologia e assistentes sociais). No geral, os resultados indicam alguma ambivalência em
termos de perceções: por um lado, há concordância sobre a necessidade de competências para
ouvir as crianças (em contextos judiciais e não judiciais) e sobre o desenvolvimento de uma
cultura de participação. Por outro lado, parece não haver concordância de que as crianças devam
ser sempre ouvidas (com reservas sobre a sua inclusão ou não no processo) e de que a sua
opinião não influencia a decisão a ser tomada.
Este estudo contribuiu para uma maior compreensão sobre as crenças que os
profissionais do sistema português de promoção e proteção detêm sobre o direito de
participação da criança, com base em escalas revistas por peritos, o que permite algumas
considerações para a prática profissional.
EN
Within the framework of an approach that must ensure the child's right to participation, it is
important to analyze the professionals' perspective on this matter, considering that their beliefs
may shape the decision-making regarding the child hearing. Although instruments already exist
to access these beliefs, the main goal of the current study is to validate scales that captures
professionals’ beliefs about child participation fitting the Portuguese context, starting from
literature review about existing instruments, followed by individual interviews (phase 1: N =
5) with professionals from the Portuguese child protection system with whom itens were
discussed, in order to capture content validity. In a second phase a quantitative study was
conducted, and scales were administered to 99 professionals (e.g., judges, case manager
technicians, psychologists, social educators, psychology interns, and social workers). Overall,
the results indicate some ambivalence in terms of perceptions: on one hand, there is agreement
on the need for skills to hear children (in judicial and non-judicial settings) and on the
development of a culture of participation. On the other hand, there seems to be no agreement
that children should always be heard (with reservations about their inclusion or not in the
process) and that their opinion does not influence the decision to be made.
This study contributed to a greater understanding about the beliefs that professionals in
the Portuguese promotion and protection system hold about the child's participation right, based
on scales revised by experts, which allows for some considerations for professional practice.