PT
A presente dissertação investiga de que forma as publicações no Instagram, associadas às
hashtags #BodyPositivity, #EffYourBeautyStandards e #SummerBody, reforçam ou desafiam
dinâmicas de objetificação e auto-objetificação feminina nas redes sociais online (RSO). Os
objetivos centrais consistem em: compreender se as publicações e descrições visuais e textuais
reforçam ou questionam a objetificação; analisar a correspondência entre conteúdos, descrições
e hashtags; avaliar se os comentários dialogam com o conteúdo publicado; e identificar
estratégias usadas pelas mulheres para mitigar e resistir à objetificação. A metodologia adotada
é qualitativa, com análise temática indutiva e Grounded Theory aplicadas a 30 publicações e
679 comentários recolhidos no Instagram durante fevereiro de 2025, utilizando recursos como
o MaxQda e o PhantomBuster. Os resultados revelam uma prevalência da valorização do corpo
como capital social – especialmente na hashtag #SummerBody –, bem como persistência de
discursos objetificantes mesmo em contextos de empoderamento ou aceitação corporal. Ainda
assim, emergem práticas discursivas e visuais de resistência, sobretudo nas hashtags ligadas ao
movimento Body Positivity. As interações nos comentários corroboram uma lógica dominante
de validação estética, enquanto o empoderamento e o apoio, embora presentes, permanecem
minoritários. Discute-se a ambivalência estrutural das RSO, espaços simultaneamente
reprodutores de normatividade e campo de resistência simbólica. Entre as principais limitações,
destacam-se a reduzida amostra, o recorte geocultural e a ausência de entrevistas. Conclui-se
que a objetificação é central, mas existem tensões entre reprodução de normas e estratégias de
resistência.
EN
The present dissertation examines how Instagram posts associated with the hashtags
#BodyPositivity, #EffYourBeautyStandards, and #SummerBody either reinforce or challenge
dynamics of female objectification and self-objectification in online social networks (OSN).
The main objectives are: to determine whether visual and textual posts and descriptions
reinforce or question objectification; to analyse the correspondence between content,
descriptions, and hashtags; to assess whether comments engage with the published content; and
to identify strategies used by women to mitigate and resist objectification. The methodology is
qualitative, combining inductive thematic analysis and Grounded Theory, applied to 30 posts
and 679 comments collected from Instagram in February 2025, using tools such as MaxQda
and PhantomBuster. The results indicate a prevalence of body value as social capital –
especially in the #SummerBody hashtag – as well as the persistence of objectifying discourses,
even within contexts of empowerment or body acceptance. Nonetheless, both discursive and
visual practices of resistance emerge, particularly within hashtags linked to the Body Positivity
movement. Interactions within comments confirm a dominant logic of aesthetic validation,
while empowerment and support, although present, remain less frequent. The structural
ambivalence of OSN is discussed, as these spaces simultaneously reproduce normativity and
serve as arenas for symbolic resistance. Among the main limitations are the small sample size,
the geo-cultural focus, and the absence of interviews. It is concluded that objectification
remains central, although significant tensions exist between the reproduction of norms and
resistance strategies.