PT
O burnout é reconhecido como um fenómeno ocupacional de elevado impacto, particularmente
em profissões de forte carga emocional e responsabilidade social. Esta dissertação teve como
objetivo analisar, à luz do modelo Job Demands–Resources (JD-R), a relação entre fatores
psicossociais, conceptualizados como exigências e recursos, e o burnout em profissionais do
sistema de promoção e proteção de crianças e jovens em risco. Para tal, foram testadas duas
hipóteses: (H1) a existência de uma relação positiva entre as exigências laborais e o burnout, e
(H2) uma relação negativa entre os recursos no trabalho e o burnout. No estudo, participaram
85 profissionais de diversas instituições da área, que responderam ao Copenhagen Psychosocial
Questionnaire (COPSOQ-III) e ao Burnout Assessment Tool (BAT-12). Para a análise dos
dados, foram realizadas análises descritivas, correlações de Pearson e regressões lineares
múltiplas. Os resultados permitiram confirmar ambas as hipóteses, evidenciando que as
exigências quantitativas e o conflito trabalho–família se associaram positivamente ao burnout,
enquanto o significado do trabalho, a satisfação profissional e a confiança horizontal se
revelaram recursos protetores significativos. O modelo explicou 41% da variância do burnout,
confirmando a aplicabilidade do JD-R ao contexto português.
Estes resultados contribuíram para preencher uma lacuna na literatura nacional, ao identificar
fatores de risco e de proteção específicos neste grupo profissional e ao validar empiricamente
o modelo JD-R neste contexto. Investir na redução das exigências e no reforço dos recursos
organizacionais e relacionais mostra-se essencial para prevenir o burnout neste setor.
EN
Burnout is recognized as a high-impact occupational phenomenon, particularly in professions
with a heavy high emotional demands and social responsibility. This dissertation aimed to
analyze, considering the Job Demands–Resources (JD-R) model, the relationship between
psychosocial factors, conceptualized as demands and resources, and burnout in professionals
working in the promotion and protection of children and young people at risk. To this end, two
hypotheses were tested: (H1) the existence of a positive relationship between job demands and
burnout, and (H2) a negative relationship between job resources and burnout. 85 professionals
from various institutions in the field participated in the study, responding to the Copenhagen
Psychosocial Questionnaire (COPSOQ-III) and the Burnout Assessment Tool (BAT-12).
Descriptive analyses, Pearson correlations, and multiple linear regressions were performed to
analyze the data. The results confirmed both hypotheses, showing that quantitative demands
and work-family conflict were positively associated with burnout, while meaningfulness of
work, job satisfaction, and horizontal trust were significant protective resources. The model
explained 41% of the variance in burnout, confirming the applicability of JD-R to the
Portuguese context. These results contributed to filling a gap in the national literature by
identifying specific risk and protective factors in this professional group and empirically
validating the JD-R model in this context. Investing in reducing demands and strengthening
organizational and relational resources is essential to prevent burnout in this sector.