PT
Este estudo teve como ponto de partida uma conversa que tive com um
comerciante da zona do Chiado, em Lisboa, na qual este, em jeito de
desabafo/reclamação, me contou sobre um fenómeno que se tem verificado
constantemente aos fins-de-semana de madrugada nesta zona da cidade: assim que os
bares do Bairro Alto fecham, os seus clientes começam uma romaria ruidosa, colina
abaixo, até ao Cais do Sodré e quando atravessam a zona do Chiado, para além do ruído
que provocam, deixam atrás de si um rasto de detritos, desde garrafas, a copos de
plástico e a beatas de cigarro. De manhã, quando os comerciantes abrem as lojas,
deparam-se com um cenário que lhes desagrada. A partilha desta inquietude despertou
em mim a curiosidade em estudar o fenómeno da vida noturna e os efeitos que as
dinâmicas que lhe estão subjacentes têm, não só sobre os territórios, como também, na
vivência das pessoas que neles dormem e trabalham. Ainda perante esta problemática,
que foi denunciada por um utente assíduo deste espaço, surgia, em concomitância, a
polémica dos efeitos que os estabelecimentos comerciais de diversão noturna têm nesta
zona da cidade de Lisboa.