PT
Nas últimas décadas as mulheres quebraram barreiras sociais a níveis pessoal e profissional.
Porém, uma barreira que permanece é a (des)igualdade de oportunidades na progressão de
carreira e promoção a cargos de liderança. Tal parece dever-se à crença generalizada de que as
mulheres apresentam menos competências de liderança do que os homens, a qual é reforçada
pela ideia de que os contextos de trabalho são predominantemente masculinos, exigindo
atributos socialmente atribuídos aos homens, como competitividade, assertividade e foco no
alcance dos objetivos. A consciência crítica do/a avaliador/a poderá constituir uma variável
importante para contrariar enviesamentos de género na avaliação das competências de
liderança. Assim, o presente estudo tem como objetivo averiguar o seu potencial na promoção
de igualdade de oportunidades para ambos os géneros em contextos laborais com diferentes
níveis de masculinidade e feminilidade, especificamente ao nível da avaliação de competências
de liderança.
Para tal, foi desenvolvido um estudo quasi-experimental, com recurso a um questionário
online para recolher dados de uma amostra de 230 participantes. Através de cenários
descrevendo uma situação de resolução de conflito, manipularam-se os contextos laborais
(valores masculinos vs valores femininos), o género do líder (masculino vs feminino) e
recolheu-se informação sobre o nível de consciência crítica dos participantes, bem como das
suas perceções das competências de liderança do/a personagem.
Os resultados indicam que os participantes com nível de consciência crítica acima da
mediana, em contexto laboral de maior masculinidade avaliam superiormente as competências
de liderança no conflito apresentado. Não se verificam diferenças significativas nas restantes
situações.
EN
In recent decades, women have broken social barriers both personally and professionally.
However, a barrier that remains is (un)equality of opportunities in career progression and
promotion to leadership positions. This seems to be due to the widespread belief that women
have fewer leadership skills than men, which is reinforced by the idea that work contexts are
predominantly male, requiring attributes socially attributed to men, such as competitiveness,
assertiveness and focus on achieving objectives. The evaluator's critical awareness may be an
important variable to counteract gender biases in the assessment of leadership skills. Thus, the
present study aims to establish its potential in promoting equal opportunities for both genders
in work contexts with different levels of masculinity and femininity, specifically in terms of the
assessment of leadership skills.
To this end, a quasi-experimental study was developed, using an online questionnaire to
collect data from a sample of 230 participants. Through scenarios describing a conflict
resolution situation, the work contexts (male values vs female values), the gender of the leader
(male vs female) were manipulated, and information was collected about the participants' level
of critical consciousness, as well as their perceptions of the character's leadership skills.
The results indicate that participants with a level of critical consciousness above the
median, in a work context of greater masculinity, give a higher evaluation of the leadership
skills in the conflict presented. There are no significant differences in the other situations.