PT
Esta dissertação analisa a forma como as empresas militares e de segurança privadas (PMSCs, na sigla inglesa) russas, turcas e chinesas operam na Alliance des États du Sahel (AES).
Examina-se o que o recurso a PMSCs revela sobre a intersecção entre geopolítica, privatização da segurança e fragilidade estatal. A investigação baseia-se nas teorias da geopolítica, do neoliberalismo e da securitização, utilizando o pós-colonialismo para contextualizar o estudo.
Recorre-se a uma metodologia qualitativa, de estudo de caso sustentado em literatura, combinando fontes académicas, relatórios e material jornalístico para analisar o papel das PMSCs como instrumentos tanto de política externa como de sobrevivência dos regimes. Em conjunto, estes quadros teóricos permitem compreender de que modo os atores privados são crescentemente utilizados para promover agendas estatais e manter o controlo político em
Estados frágeis. Os resultados demonstram que as PMSCs na AES raramente são verdadeiramente privadas. Pelo contrário, funcionam como procuradoras (proxies) dos seus Estados de origem, sendo empregues como meios de projeção de influência, salvaguarda de interesses económicos e competição geopolítica. Para os países da AES, a contratação de PMSCs proporciona capacidade militar de curto prazo e proteção do regime. Embora tais
parcerias possam contribuir para a estabilização dos regimes, correm o risco de comprometer a soberania a longo prazo.
EN
This thesis explores how Russian, Turkish, and Chinese private military and security companies (PMSCs) operate in the Alliance des États du Sahel (AES). It examines what the use of PMSCs reveals about the intersection of geopolitics, the privatisation of security, and state fragility. The research is grounded in theories of geopolitics, neoliberalism, and securitisation, and draws on postcolonialism to contextualise the study. Utilising a qualitative, literature-based case study approach, the thesis analyses the role of PMSCs as tools of both foreign policy and regime survival, drawing on academic literature, reports, and journalistic material. Together, these frameworks help explain how private actors are increasingly used to advance state agendas and maintain political control in fragile states. The findings show that PMSCs in the AES are rarely private. Instead, they act as proxies for their states of origin, serving to project influence, secure economic interests, and engage in geopolitical competition.
For the AES countries, contracting PMSCs provides short-term military capacity and regime protection. While such partnerships may stabilise regimes, they risk undermining sovereignty in the long term.