Título
Femicídios em contexto de violência doméstica: Divergências e convergências na narrativa do "Público" e "Correio da Manhã"
Autor
Fialho, Joana Margarida
Resumo
pt
A violência doméstica continua a ser um flagelo da sociedade que afeta, principalmente, as mulheres. Desde a entrada em vigor da Convenção de Istambul, em 2011, a violência contra as mulheres passou a ter um enquadramento legal, além de definir conceitos fundamentais, como ‘género’. Apesar de a temática ter começado a surgir mais na agenda mediática, a forma como os jornais enquadram a vítima, o agressor e o próprio crime podem potenciar a vitimização, passividade e objetificação da vítima, especialmente na imprensa popular, que tende a explorar assuntos privados com recurso ao sensacionalismo. Já a imprensa de referência foca-se mais em hard news, mas, com o surgimento de casos como o de O.J. Simpson e o movimento #MeToo, temas como a violência doméstica e o assédio sexual passaram a integrar também os jornais de referência, esbatendo a diferença entre estes e os jornais populares.
Este estudo analisa as diferenças na abordagem de femicídios em contexto de violência doméstica nos jornais portugueses Público e Correio da Manhã em 2023. Foram analisados qualitativamente 14 artigos – sete de cada jornal – e realizadas três entrevistas com especialistas (CIG, ERC e Associação de Literacia para os Media e Jornalismo) para aprofundar a análise. Uma análise quantitativa das palavras mais utilizadas nas notícias permitiu identificar padrões linguísticos.
Os resultados mostram diferenças na abordagem dos jornais, embora ambos apontem fatores como o consumo de álcool ou ciúmes como causas dos crimes, revelando um ponto em comum na forma como enquadram a violência doméstica.
en
Domestic violence continues to be a scourge in society, primarily affecting women, representing a persistent gender-based pattern. Since the Istanbul Convention came into force in 2011, violence against women has been given a legal framework, in addition to defining key concepts such as ‘gender’.
Although this issue has gained more prominence in the media agenda, the way newspapers portray the victim, the aggressor, and the crime itself can contribute to victimization, passivity, and objectification of the victim, especially in the popular press, which tends to explore private matters using sensationalism. In contrast, the quality press focuses more on hard news, but with cases like O.J. Simpson’s and the #MeToo movement, topics such as domestic violence and sexual harassment have also become part of quality newspapers, blurring the line between them and popular newspapers.
This study analyzes the differences in the approach to femicides in the context of domestic violence in the Portuguese newspapers Público and Correio da Manhã in 2023. Fourteen articles were qualitatively analyzed - seven from each newspaper - and three interviews were conducted with experts (CIG, ERC, and the Associação de Literacia para os Media e Jornalismo) to deepen the analysis. A quantitative analysis of the most frequently used words in the news helped identify linguistic patterns.
The results show differences in the newspapers’ approach, although both point to factors such as alcohol consumption or jealousy as causes of the crimes, revealing a common point in how they frame domestic violence.