PT
Atendendo à realidade multicultural do nosso país, bem como à persistência de atitudes
discriminatórias contra minorias étnicas, torna-se extremamente pertinente perceber quais os
factores que podem intervir na redução do preconceito étnico. Neste contexto, procurámos
com o presente trabalho compreender qual o efeito do contacto inter-étnico precoce na
redução do preconceito na juventude, tendo como suporte a teoria da ´Hipótese do Contacto`
de Allport (1954). Especificamente, procurou-se perceber se o contacto com grupos étnicos
minoritários em crianças, em contexto escolar, influenciava a expressão do preconceito contra
minorias étnicas em idade adulta, e por que tipo de factores esta relação era moderada. Os
dados foram recolhidos através da aplicação de um questionário a alunos de 12º ano de 8
escolas secundárias públicas, avaliando a frequência do seu contacto com minorias no
passado bem como as suas crenças, estereótipos e atitudes inter-étnicas no presente. Os
resultados encontrados mostraram a existência de uma associação positiva entre contacto e
preconceito, revelando-se contraditórios em relação a estudos realizados noutros países que
tinham encontrado a relação inversa entre estas duas variáveis (e.g., Pettigrew e Tropp, 2006;
Wood e Sonleitner, 1996, Vezzali, Giovannin, e Capozza, 2010). No entanto, enquanto os
estereótipos negativos sobre as minorias predisseram o aumento do preconceito, o contacto
familiar com minorias no passado conseguiu predizer uma menor expressão do preconceito
em adulto. Em estudos futuros, salientamos a importância do esclarecimento desta relação
encontrada entre as múltiplas variáveis, de forma a avaliar quais os factores que impedem que
o contacto inter-étnico em contexto escolar alcance resultados positivos na diminuição do
preconceito no nosso país.
EN
Given the multicultural reality of our country as well as the persistence of
discriminatory attitudes towards ethnic minorities, it is extremely relevant to understand
which factors may be involved in reducing ethnic prejudice. In this context, this study sought
to understand the effect of inter-ethnic contact in reducing prejudice, supported by the theory
of ´Contact Hypothesis` of Allport (1954). Specifically, we tried to explore if contact with
ethnic minority children in the school context influences the expression of prejudice against
ethnic minorities in adulthood and what kind of factors moderate this relationship. Data were
collected using a questionnaire assessing contact frequency beliefs, stereotypes and attitudes
towards minority group members of grade 12 students from 8 public urban high schools.
Results showed a positive association between early ethnic contact and present prejudice,
indicating that early contact increased prejudice. These results proved to be contradictory to
the studies conducted in other countries that found an inverse relationship between these two
variables (Pettigrew and Tropp, 2006; Wood and Sonleitner, 1996, Vezzali, Giovannini, and
Capozza, 2010). However, while holding racist stereotypes, both in childhood and as adults,
also predicted more blatant prejudice, family contact in chilhood with different ethic groups
could predict lower scores of blatant and subtle inter-ethnic prejudice. In future studies, the
importance of clarifying the relationship among these variables must be addressed, in order to
assess the factors that prevent more positive inter-ethnic contact in schools, as well as to
better understand the life-course of the connection between contact and intergroup prejudice
against ethnic minorities.