Docentes

Catarina Frois, n. 1976, é Doutorada em Antropologia Cultural e Social pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Portugal. Actualmente é Investigadora FCT e Investigadora Sénior no Centro em Rede de Investigação em Antropologia. É Directora do Curso de Especialização em Criminalidade e Desvio e do Curso de Verão em Antropologia do Crime, ambos no ISCTE-IUL. Dos seus trabalhos mais recentes destacam-se: Peripheral Vision. Politics, Technology and Surveillance (2013, Berghahn Books) Vigilância e Poder (2011, Mundos Sociais) The Anonymous Society. Identity, Transformation and Anonymity in 12 step associations (2009, Cambridge Scholars Publishing), Dependência, Estigma e Anonimato nas Associações de 12 Passos (2009, Imprensa de Ciências Sociais). É organizadora dos livros The Anthropology of Security (2014, Pluto Press, com Mark Maguire e Nilz Zurawski) e de A Sociedade Vigilante. Ensaios sobre Identificação, Vigilância e Privacidade (2008, Imprensa de Ciências Sociais). Os seus principais interesses de investigação estão relacionados com os aspectos culturais do anonimato, privacidade, vigilância e tecnologias de identificação. Faz parte do Comité de Gestão da ACTION-COST Living in Surveillance Societies, e é Directora-Adjunta da revista Análise Social.
Francisco Vaz da Silva interessa-se por representações simbólicas, que estuda nos domínios da antropologia comparativa, dos contos maravilhosos e da iconografia cristã. Tem o grau de Agregado em Antropologia do Simbólico e da Cultura desde 2002. Foi professor visitante na Universidade da Califórnia em Berkeley (2001/2002), na Universidade de Lisboa (2002/2003), na Universidade de Reykjavik (2013) e na Universidade de Tartu (2016). As suas publicações incluem dois livros em inglês (2002, 2008) e a edição de uma coleção de Contos Maravilhosos Europeus em 7 volumes (2011-2013). Organizou a tradução integral dos Contos da Infância e do Lar dos Irmãos Grimm na Temas e Debates / Círculo de Leitores (2012). Publicou extensivamente em revistas  de referência da Europa e EUA. Proferiu conferências por convite nas Universidades da Califórnia (Berkeley) e da Pennsylvannia, assim como nas sessões plenárias de congressos académicos em Vilnius, Atenas, Ljubljana e Ankara. Apresentou mais de 30 comunicações em congressos internacionais na Europa e Estados Unidos. É membro do comité redatorial das revistas Cosmos (Traditional Cosmology Society, UK), Cultural Analysis (University of California, Berkeley, EUA), Marvels & Tales (Wayne State University Press, USA) e Narrative Culture (Wayne State University Press, USA). Em 2012, organizou em Lisboa um congresso internacional comemorativo do bicentenário da publicação dos Contos da Infância e do Lar dos Irmãos Grimm. [Atualizado em 2018/07/03.]
Inês Lourenço é doutorada em Antropologia (ISCTE/IUL).  É investigadora do CRIA/ISCTE-IUL (Centro em Rede de Investigação em Antropologia), onde desenvolve pesquisa sobre populações migrantes com origem na Índia. A sua investigação de doutoramento centrou-se na diáspora hindu em Portugal, assente num trabalho etnográfico realizado em Portugal e na Índia desde 2000. Outros temas de trabalho relacionam-se também com a sociedade de consumo e os usos sociais da cultura numa articulação entre Portugal e a Índia, e com os processos de patrimonialização das comunidades de origem indiana em Portugal, numa articulação entre museologia e antropologia.
É professor catedrático do Departamento de antropologia. Publicou 12 artigos em revistas especializadas e 10 trabalhos em atas de eventos, possui 41 capítulos de livros e 12 livros publicados. Possui 148 itens de produção técnica. Participou em 14 eventos no estrangeiro e 23 em Portugal. Orientou 8 teses de doutoramento e coorientou 1, orientou 13 dissertações de mestrado nas áreas ciências sociais. Entre 1986 e 2011 participou em 8 projetos de investigação, sendo que coordenou 4. Atualmente participa em 3 projetos de investigação. Áreas de pesquisa: materialidades, representações da técnica, história da antropologia, folclorização, culturas da laicidade. Experiência de terreno: Alemanha (1995-96, 2000), Portugal (Madeira 1978-80, outros)/ Contacto com o terreno: Brasil (Recife urbano 2010), Amazónia colombiana (Uaupès, 1986, 1987, 1990) Guiné-Bissau (Bijagós 1992). No seu CV DeGóis os termos mais frequentes na contextualização da produção científica são: Portugal, Museologia/ Museum studies, Materialidades/ Materialities, Ciência & Tecnologia/ Science & Technology, Alemanha/ Germany, Antropologia/ Anthropology, Madeira/ Madeira Islands, Património/ Heritage, Folclorização/ Folklorization, Análise de objectos/ Object studies. [11/2013]
Professor Auxiliar no ISCTE-IUL desde 2003. Especializado em teoria antropológica. Áreas de investigação: epistemologia e história da antropologia, ética comparada, arte.
FORMAÇÃO E INVESTIGAÇÃO A antropologia portuguesa actual nasceu em ruptura com a tradição de ensino e de investigação fomentada pelo Estado Novo. Esta tradição alicerçava-se num suporte discursivo e ideológico legitimador da administração colonial portuguesa dos territórios ultramarinos e de uma visão conservadora que propugnava uma caracterização pastoral e rural do território continental do país. No momento da minha inscrição na Licenciatura de Antropologia na Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), em 1979, esta experimentava uma forte influência das correntes da análise semiológica, acolhendo as perspectivas teóricas e as opções metodológicas propostas pelo estruturalismo de raiz francófona. Esta influência marcou em profundidade a minha aprendizagem universitária inicial. No entanto, o que mais directamente estruturou o meu trabalho como docente e como investigador, foi o contacto próximo que mantive desde a licenciatura com o trabalho desenvolvido pelo Prof. Doutor José Carlos Gomes da Silva, que dirigiu a pesquisa que realizei para a dissertação de mestrado, tendo igualmente orientado a minha tese de doutoramento. Desde a minha admissão como docente no Departamento de Antropologia do ISCTE que pude desfrutar da oportunidade de, como assistente de disciplinas regidas por si, apreender e dialogar com os seus métodos pedagógicos e de pesquisa. Pude assim receber o legado de uma visão problematizante da antropologia em contacto próximo com outras disciplinas das ciências sociais e humanas, e em particular com a história e a literatura comparadas, preocupando-me igualmente com os vários níveis de profundidade da significação, do sentido e da cognição colectivas humanas. Após a conclusão da minha Licenciatura em Antropologia na FCSH-UNL, optei pela realização de um Mestrado em Estudos Literários Comparados na mesma Universidade, onde adquiri competências adicionais em linguística, teoria da literatura e análise de conteúdo. Neste contexto, interessei-me pelo corpus da literatura de viagens europeia, medieval e moderna, sobre a Ásia e a África, que tomei como domínio de intercâmbio entre as preocupações de ordem antropológica, a análise literária e a história comparada. Dediquei-me então a investigar as possibilidades de cruzamento dos métodos da análise estrutural com os das teorias da recepção literária, associando o estudo sincrónico de produções narrativas a preocupações de natureza diacrónica, orientando-me deste modo para um espaço de diálogo disciplinar entre a antropologia e a história comparada. A minha dissertação de mestrado reflectia já estas preocupações; consistia num estudo antropológico de obras da literatura de viagens europeia numa perspectiva de definição dos campos semânticos que condicionaram, desde o período medieval, a formação do conhecimento das sociedades não-europeias. Pude, deste modo, pesquisar aspectos relevantes para a constituição do discurso antropológico no contexto do imaginário da literatura de viagens centrado nas categorias polares do ?selvagem? e do ?homem utópico?, aspectos que contribuíram para que esta literatura se constituísse em importante fonte do discurso antropológico contemporâneo. Na sequência deste estudo, interroguei-me sobre as possíveis relações entre formas de pensamento e de conhecimento indo-europeias e africanas, escolhendo como tema da minha tese de doutoramento a mitologia cristã medieval que se estabeleceu em torno da figura real milenária e especular representada na chamada Carta do Preste João. Este objecto de estudo foi igualmente o tema das minhas contribuições para o Programa de investigação sobre assimetria social e inversão, dirigido no ISCTE por J. C. Gomes da Silva, entre 1986 e 1992 (Ramos, 1993). Debrucei-me, consequentemente, sobre as peculiaridades do facto de, no imaginário tardo-medieval europeu, a Etiópia cristã ter sido identificada como a sede do reino fabuloso e milenar do Preste João das Índias, questão não apenas relevante para a constituição de discursos e visões europeias sobre a África e a Ásia mas para o próprio decurso da colonização progressiva desses espaços por países europeus (Ramos, 1993, 1997, 1999, 2005, 2006). Este passo analítico encontra-se na raiz do meu interesse posterior, já no âmbito dos estudos pós-doutorais, pela etnografia produzida pelos missionários jesuítas nos séculos XVI-XVII sobre a antiga Abissínia (assim se designava o reino cristão da Etiópia; Ramos, 1999a, 1999b, Ramos & Boavida, 2004, Ramos, Boavida & Pennec, 2008, 2009) e, cumulativamente, pela rica e pouco estudada literatura oral, abundante no norte da Etiópia. Realizei o meu primeiro trabalho de terreno na Etiópia durante o período de licença sabática de 1999 (Ramos, 2000), aí voltando uma ou duas vezes por ano desde então. Estabeleci, igualmente a partir dessa data, relações de investigação com diversos especialistas da história e da antropologia etíopes com quem viria a desenvolver uma colaboração próxima e continuada, seja em termos de pesquisa e publicação, seja em termos de administração de programas académicos. Data de então a minha aproximação ao Centro de Estudos Africanos do ISCTE, onde, inicialmente em colaboração com a extinta Unidade de Investigação DepANT-ISCTE, pude desenvolver um conjunto de iniciativas relacionadas com o desenvolvimento dos estudos do Corno de África em Portugal, aprofundando as minhas investigações numa perspectiva progressivamente mais multidisciplinar: estudos de arte etíope, história, literatura e antropologia do Norte da Etiópia (Ramos, 2000, 2004b). Em 1999, iniciei a coordenação do Seminário Livre em Estudos Etíopes no ISCTE, posteriormente transferido para o Núcleo de Estudos Etíopes da Secção Profissional de Estudos do Património da Sociedade de Geografia de Lisboa (SPEP-SGL). Complementarmente, aprofundei relações de cooperação institucional com diversas instituições de ensino e investigação na área dos estudos africanos (Projecto Cornafrique, cooperações luso-espanholas, luso-francesas, luso-britânicas, e mais recentemente luso-indianas; Hakluyt Society, redes ELIAS, SCOLMA, AEGIS, etc.), que conduziram finalmente à minha eleição como membro da direcção do African-European Group of Interdisciplinary Studies (AEGIS), em 2008. Estas circunstâncias concorreram para que eu tomasse uma posição de progressivo afastamento crítico àquela que se me afigura ser a visão fortemente ensimesmada que tem marcado a antropologia portuguesa, e a considerar a necessidade de, seja por via do ensino e da publicação, mas também da própria prática e postura de pesquisa, contribuir para uma articulação efectiva da minha disciplina de formação com diversas outras. Os anos mais recentes da minha formação têm sido marcados por esta concepção, no domínio dos estudos africanos, mas não exclusivamente. Tenho assim desenvolvido estudos na área do património cultural, em contacto com sociólogos, historiadores de arte, engenheiros do ambiente, arquitectos e urbanistas (Programa CEAS - ICN de estudo da área protegida da Ria Formosa; Programa conjunto DepANT-ISCTE - SGL sobre património material e intangível). Uma mais recente área de formação e investigação, a dos estudos do risco e violência rodoviária e da pedonalidade, que decorrem de um posicionamento civicamente mais investido, tem-me permitido trabalhar em colaboração com variados especialistas portugueses e internacionais da saúde pública, da psicologia e sociologia, da engenharia civil e mecânica e do urbanismo, coordenando investigação e integrando programas de investigação internacional de relevo (Programa ISCTE-DGV sobre Cultura da Violência Rodoviária em Portugal; Investigação Operacional sobre Fluxos Pedonais em Portugal e Espanha; Acção COST 358: Necessidades Qualitativas dos Peões; Ramos, 2001; 2004c; 2004d; 2005; 2008; 2009). Se, dada a natureza do seu objecto, os meus estudos iniciais sobre a mitologia cristã medieval, bem como aqueles que tenho mais recentemente desenvolvido na Etiópia e em Portugal, me colocam resolutamente no cruzamento da antropologia com outras disciplinas, seja das ciências sociais e humanas, seja de disciplinas de carácter técnico, no que se refere às minhas preocupações heurísticas e epistemológicas, é sobretudo a perspectiva antropológica que tem prevalecido no contributo que tenho aportado a este diálogo interdisciplinar. As configurações e as operações lógicas como a reversibilidade, a ambiguidade e o paradoxo, que se encontram nas produções intelectuais e nas práticas sociais que tenho estudado, colocam também questões pertinentes sobre as próprias marcas cognitivas e semânticas da tradição de análise antropológica. Neste contexto, a problemática central do Programa de investigação sobre Semântica do Conhecimento Antropológico (ISCTE e Universidade de Évora) no qual participei entre 1996 e 2000, contribuiu fortemente para alicerçar a minha percepção de que este género de operações são uma quase inevitabilidade heurística para a antropologia do simbólico e da cognição, no que respeita à compreensão dos campos semânticos e da formação do sentido. Foi, aliás, a esta problemática que dediquei o Relatório de Agregação e a Lição que submeti em 2000, no ISCTE. É, assim, numa atitude a uma vez exploratória e crítica que tenho procurado enquadrar as minhas reflexões mais recentes, procurando manter linhas de coerência intelectual na minha formação e investigação, e nas produções que delas decorrem: seja em relação à formação e expansão mediática do conceito de ?património imaterial? no discurso e prática da antropologia e da museologia, à consideração da chamada ?teoria cultural do risco? (formulada originalmente por Mary Douglas e Aaron Wildavsky), ou às dificuldades de integração heurística de processos sequenciais com representações culturais nos discursos histórico e antropológico no Corno de África. São ainda complementos importantes do meu processo de formação o investimento realizado em actividades de participação cívica extra-profissional (seja a minha colaboração em organizações nacionais e internacionais não governamentais, a eleição para cargos políticos autárquicos, a colaboração regular em órgãos de comunicação social, ou a prossecução de uma acividade artística paralela), e na programação, gestão, manutenção e actualização de sítios na internet (páginas pessoais e institucionais de e-learning e divulgação científica, sítios de centros de estudos e unidades de investigação, nacionais e internacionais). Um e outro tipo de actividades são factores cada vez mais imprescindíveis na promoção da relevância social e científica das ciências sociais, na criação de redes internacionais de discussão e partilha de conhecimentos, e de interacção com indivíduos e instituições das áreas de especialidade em que me insiro, e ? não menos importante ? de disponibilização de materiais de ensino a estudantes e prospectivos estudantes universitários. ENSINO Após a aprovação da minha Agregação em 2000 e ao ser seleccionado num concurso documental no ISCTE, em 2002, fui nomeado Professor Associado do Departamento de Antropologia do ISCTE. Estes passos foram a sequência natural da minha progressão na carreira de ensino neste departamento que integrei em 1984. Foi aqui que iniciei a minha actividade docente, ensinando desde então na Licenciatura de Antropologia, inicialmente como assistente de J. C. Gomes da Silva, uma variedade de temáticas disciplinares: estudos do parentesco, linguística e semiologia, e fontes históricas do pensamento e discurso antropológicos; onde pude partilhar os conhecimentos adquiridos no quadro do Mestrado em Estudos Literários Comparados (FCSH-UNL). Mais tarde, já desde a fase final da redacção da minha Tese de Doutoramento, defendida no ISCTE em 1995, sempre em colaboração com J. C. Gomes da Silva, passei a encarregar-me do ensino de matérias de análise simbólica e de questões metodológicas e epistemológicas condicionantes do conhecimento antropológico, no contexto das ciências sociais. Após a discussão e aprovação da minha Tese de Doutoramento, e paralelamente à assunção da regência destas e de outras disciplinas (em particular, uma disciplina optativa sobre estudos etíopes) na Licenciatura de Antropologia do ISCTE, fui convidado a ensinar questões contemporâneas da antropologia no Mestrado de Antropologia da Universidade do Minho, entre 1998 e 2001, e a dirigir seminários de investigação aprofundada em estudos africanos no Curso de Doutoramento em Antropologia do ISCTE, em 1998-1999. Em 2005, ao criar o Curso de Mestrado Interdisciplinar em Risco, Trauma e Sociedade no ISCTE passei a ter a responsabilidade de coordenação do ensino nesta área temática onde se associam as ciências sociais e as ciências da saúde, responsabilidade que mantenho até hoje. Já no quadro da reestruturação curricular dos estudos universitários do ISCTE, que decorreram da implementação dos Acordos de Bolonha em Portugal, passei a assegurar o ensino na área dos estudos sobre simbolismo e cognição, epistemologia e conhecimento antropológico, antropologia do risco, antropologia da violência, nos primeiro e segundo ciclo de estudos em Antropologia, fomentando assim, no contexto do ensino no Departamento de Antropologia, o desenvolvimento de áreas disciplinares inovadoras e de relevo internacional. Medida do reconhecimento deste esforço, o ISCTE aprovou a criação de uma especialização do Mestrado em Antropologia designada Cognição e Cultura, convidando-me para a coordenar. Esta iniciativa vem contribuir para cimentar uma cooperação interdepartamental iniciada no Mestrado em Risco, Trauma e Sociedade com o Departamento de Psicologia Social, sempre na perspectiva de promoção de uma renovação do ensino e investigação académico por via da promoção partilhada de conhecimentos, métodos e perspectivas disciplinares. Complementarmente, tenho desenvolvido uma colaboração com a Universidade de Lisboa, assegurando o ensino da antropologia da cognição no Doutoramento Interdisciplinar em Ciências da Cognição, onde tenho podido cruzar conhecimentos e perspectivas com o leque de especialidades daquele programa: psicologia, neurociência, biologia evolutiva, linguística, filosofia, e ciências da computação e inteligência artificial. Adicionalmente, tenho colaborado, em Portugal e no estrangeiro, em diversos programas de Doutoramento, Mestrado e Pós-graduação: em antropologia africana (Universidade Complutense desde 2004, e Universidade de Barcelona desde 2007, SOAS-Londres desde 2001, Universidade de Adis Abeba desde 1999, Universidade de Gondar, desde 2008), mas também em história, teoria da arte e património (SOAS-Londres desde 2001; Departamento de Arquitectura do ISCTE em 1997/98, Faculdade de Arquitectura desde 2000); estudos africanos e de conflitos (SOAS-Londres, Paris 1 e Aix-en-Provence desde 2001, Faculdade de Letras da UL desde 2008, Instituto de Estudos Superiores Militares desde 2008); em estudos de risco ambiental e rodoviário (Faculdade de Ciências e ISEL em 2006, Instituto Superior Técnico em 2006); e em estudos do trauma (Faculdade de Medicina do Porto, de 2004 a 2006). Para várias destas participações em programas de ensino, tenho concorrido a programas de intercâmbio universitário (Erasmus-Socrates, mas também GRICES-FCT e CRUP). Graças a este intercâmbio, tenho tido ainda a oportunidade de oferecer aos estudantes de Licenciatura e Mestrado no ISCTE a possibilidade de contacto com docentes britânicos, franceses, alemães, espanhóis e italianos em visita ao ISCTE, através dos mesmos programas. O espírito com que tenho procurado partilhar junto dos estudantes universitários os meus conhecimentos da área da antropologia, e assim contribuído para a estabelecer como uma disciplina relevante no contexto científico português, tem sido, manifestamente, realizado por via de um diálogo intenso com áreas disciplinares bastante diversas. Legado ainda da minha formação inicial em contacto com J. C. Gomes da Silva, tenho também, desde há vários anos, promovido o ensino e a discussão crítica com estudantes de pós-graduação e pós-doutorados e com investigadores através de cursos livres, seminários de investigação e ciclos de conferencias, no ISCTE e na SGL (seminário livre em estudos etíopes no ISCTE desde 1999, seminários livres do DepANT/NEANT ISCTE, de 2004 a 2008; seminários de investigação sobre património na SGL desde 2002; seminário de investigação em estudos africanos desde 2008; ciclos de conferências sobre património desde 2007; ciclos de conferências na Biblioteca Central de Estudos Africanos - BCEA - desde 2008). Esta opção resultou também da constatação de que, previamente ao presente regime de ensino pós-graduado, que permite agora a oferta de cursos de doutoramento em Antropologia, os estudantes e investigadores não-doutorados em antropologia e outras áreas afins tinham poucas oportunidades para apresentar, discutir e criticar o seu trabalho de investigação. Porque considero que o ensino passa também pela oferta aos estudantes de ocasiões e eventos suplementares de aprendizagem e discussão académica, tenho organizado com regularidade Encontros Científicos, nacionais e internacionais, em vários dos campos de interesse que tenho vindo a referir: - na área dos estudos africanos (1st & 2nd International Conference on Wars and Violent Conflicts in Africa, ISCTE 2002 e 2005; International Conference on European-Arican Relations, ISCTE 2007; comissão consultiva do 3rd European Congress of African Studies, Leipzig, 2009), - dos estudos do risco e trauma (Mesa Redonda Lisboa 2005: O Futuro da Segurança Rodoviária, ISCTE 2001; Colóquio Interdisciplinar: Estrada Viva ? Motorização da Sociedade Portuguesa, em 2003; Colóquio Internacional: Espírito de Missão - Trauma e Medicina Humanitária, ISCTE 2006; International Conference The Walker and the City, Goethe Institut Lissabon 2008; Colóquio Interdisciplinar sobre Risco e Trauma Rodoviário: Perspectivas de Análise, ISCTE 2009), - dos estudos do património cultural (Fifth International Conference on the History of Ethiopian Art, Arrábida 1999; International Symposium: The Foreign and the Indigenous in Ethiopian Art, SOAS-Londres 2004; 1º, 2º e 3º Encontros Interdisciplinares: A Matéria do Património, SGL 2002 e 2003; Jornada: Património Universitário em Risco, SGL 2007; Jornadas Internacionais sobre Escrita Missionária, ISCTE 2008). Do mesmo modo, tenho organizado diversas conferências, palestras e seminários no ISCTE e na SGL com especialistas portugueses e estrangeiros nos domínios mencionados: Wendy James em 1997; Angela Cheater em 1999; Bertrand Hirsch em 2001; Alessandro Triulzi, Wolde Tadesse e Hervé Pennec em 2002; Adriano Moreira, Brian O?Neill, Dorle Draklé, Eloi Fiquet, Gerard Horta, Hervé Pennec, Manuel Delgado em 2006; Alessandro Triulzi, Ana Isabel Afonso, Inês Zupanov, Ruy Duarte de Carvalho, Tania Tribe, Thomas Osmond, Thomas Vernet em 2007; Brian O?Neill, Manuel Delgado, Marieta Dá Mesquita e Miguel Beleza em 2008. RESPONSABILIDADES ADMINISTRATIVAS Para além dos cargos desempenhados enquanto Presidente eleito da Comissão Pedagógica de Antropologia e membro do Conselho Pedagógico do ISCTE (1995-98), como coordenador e membro de diversas comissões e grupos de trabalho no interior do Departamento de Antropologia e da sua extinta unidade de investigação (DepANT-ISCTE), e como coordenador de programas de ensino pós-graduado (Mestrado interdisciplinar em Risco, Trauma e Sociedade, desde 2005; Mestrado de Antropologia: Cognição e Cultura, desde 2008), sou membro fundador do Centro de Estudos de Antropologia Social ? ISCTE, no âmbito do qual coordenei um programa de investigação em antropologia do ambiente saído de um acordo com o Instituto de Conservação da Natureza, de 1999 a 2001. Confrontado com a visão demasiado paroquial da antropologia desta unidade de investigação, desvinculei-me dela e integrei o DepANT-ISCTE em 1998, onde exerci o cargo de membro da sua comissão científica desde o início e finalmente fui eleito como seu coordenador em 2005, tendo conduzido a sua transformação em Núcleo de Estudos de Antropologia ? ISCTE (presentemente em transição para a SGL). Integrei também como investigador associado o Centro de Estudos de Literaturas de Expressão Portuguesa da Universidade de Lisboa (CLEPUL, desde 1996), o Centro de Investigação Transdiciplinar Cultura, Espaço e Memória da Universidade do Porto (CITCEM, desde 2007) e, primeiro como associado e posteriormente como integrado a 100%, o Centro de Estudos Africanos ? ISCTE, tendo sido em 2006 eleito membro da sua direcção e nomeado coordenador da linha de investigação em conflitos e segurança em África (onde dirigo o Programa de Monitorização de Conflitos em África), bem como do programa inter-universitário BCEA (uma parceira CEA-ISCTE, CESA-INDEG, CEA-FLUL, CEA-FLUP). A este título, fui nomeado representante português do African-European Group of Interdisciplinary Studies (AEGIS) e da rede pan-europeia European Librarians in African Studies (ELIAS), tendo sido eleito em 2008 membro da direcção daquele importante órgão de integração científica e académica dos estudos africanos na Europa. Ainda no âmbito da gestão do ensino e investigação em estudos africanos, tenho coordenado vários programas de investigação e de intercâmbio internacionais em parceria com a Universidad de Educación a Distancia de Madrid, a Universidade Paris 1, a Schoool of Oriental and African Studies ? University of London (Programas Pessoa do GRICES-EGIDE, acções bilaterais CRUP-CNU e CRUP-MEC, Programa Windsor) e, mais recentemente com o Indira Gandhi Counsil for the Arts, de Nova Deli (Programa biltaral FCT-Instituto Camões e Embaixada da Índia), e com o Amhara Region Culture and Development Research Centre (ARCDRC), do Governo Regional Amhara, em Bahir Dar (Etiópia), de cuja Comissão Instaladora sou membro. Sou ainda membro-investigador do Programa financiado pela Agence Nationale de Recherche Écrire l'histoire de la Corne d'Afrique, coordenando a equipa portuguesa deste programa gerido pelo CÉMAF-CNRS. No CEA-ISCTE, coordeno ainda o programa de recolha e catalogação audio-visual de memórias históricas e património cultural do Norte da Etiópia, em articulação com o repositório da BCEA e a equipa gestora do sítio internet Conflicts in Africa, uma cooperação do CEA-ISCTE, AEGIS e CODESRIA. No DepANT-ISCTE (NEANT-ISCTE), coordenei o já referido programa de estudo antropológico sobre Cultura da Violência Rodoviária em Portugal, resultado de um protocolo ISCTE ? Direcção-Geral de Viação (2004-2008). No âmbito desta área de estudos, tenho coordenado a equipa portuguesa do também já mencionado programa bilateral de Estudo operacional de fluxos pedonais em Centros Urbanos na Península Ibérica, (Programa de I&D da Universidad de Barcelona e do Instituto Politectnico de Cataluña financiado pelo Ministerio de Educación y Ciência). Fui, nesta qualidade, nomeado pelo Ministro da Educação, Ciência e Tecnologia, delegado nacional da Acção COST 358 da Fundação Europeia de Ciência, que iniciou os seus trabalhos em 2006. Sou ainda o coordenador de investigação e de estágios do Serviço de voluntários europeus da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, nos seus programas de estudo sobre violência rodoviária e de circulação pedonal em meio urbano. Para além das minhas funções administrativas no quadro do ensino e investigação universitárias, pertenço aos corpos administrativos de duas Sociedades de reputação secular: a SGL e a Hakluyt Society. Na primeira, ocupo cargos directivos desde 1998, sendo actualmente presidente da SPEP-SGL, membro da Comissão Africana, e membro por inerência da comissão redactorial do Boletim da Sociedade de Geografia; na segunda, integro desde 1997 o painel dos seus representantes internacionais na qualidade de representante desta Sociedade em Portugal. No que respeita aos cargos de administração de programas e colecções de publicação periódica e não periódica, sou membro das comissões redactoriais do já referido Boletim..., dos Cadernos de Estudos Africanos, dos Trabalhos de Antropologia e Etnologia da Sociedade de Antropologia e Etnologia (Universidade do Porto), e da Revista de Antropología Social da Universidade Complutense de Madrid. Fundei e participo na comissão editorial da colecção African Vistas da Kingston Publishing, de Oxford, coordenei a colecção Antropológica Avulsa do DepANT-ISCTE/Colibri, e coordeno desde 1997 a colecção Sete Estrelo da Assírio & Alvim Editores. Na Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, dirijo a colecção de monografias Riscos no Espaço Público. No tocante à administração de programas de congressos e colóquios, para além da coordenação de diversos destes eventos, nas áreas dos estudos etíopes, africanos, do risco e trauma, e do património, pertenço às Comissões Consultivas das European Conferences in African Studies, por inerência de funções na direcção do AEGIS, das International Conferences on the History of Ethiopian Art, sou membro da Standard Conference of Library Material in Africana (SCOLMA) e do já mencionado ELIAS. Sou ainda membro da Comissão Consultiva das Thematic Conferences in War and Violent Conflicts in Africa, do AEGIS, e membro da Comissão Organizadora da 14ª International Conference Walk21. Finalmente, desde a minha eleição em 2008 como membro da direcção da European Federation of Road Victims, uma federação com assento permanente no Conselho Europeu de Segurança Rodoviária e com estatuto consultivo junto da ONU e da Organização Mundial de Saúde, sou o coordenador da rede internacional Internatioonal Coalition Against Road Trauma, e membro da comissão instaladora da World Federation of Road Victims, iniciativa patrocinada pela Organização Mundial de Saúde. (Abril de 2009)
Doutorada em Antropologia pelo ISCTE (2001). Professora no Departamento de Antropologia do ISCTE, onde leciona desde 1989. Presidente do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA). As suas áreas de especialização são: relações familiares em sociedades contemporâneas, relações sociais em contextos urbanos, elites, empresas familiares, género, sexualidade, cuidado, emoções, migrações e património imaterial. Coordenadora de vários projetos de investigação científica, Antónia Pedroso de Lima tem diversas publicações em livros e revistas nacionais e internacionais sobre a família portuguesa em contextos urbanos, tendo como objetos de análise contextos tão diversificados como os bairros populares de Lisboa e as famílias da elite empresarial portuguesa. Atualmente, a sua pesquisa orienta-se para a área do cuidado e das situações de crise e precariedade.
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